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Artigo Técnico - Manejo de Percevejos na cultura da soja

16/01/2020

Por: Juliano Ricardo Farias, Luiz Eduardo Braga e Eduardo Argenta Steinhaus.
 
A soja (Glycine max (L.) Merril) é a principal cultura de interesse econômico no Brasil, necessitando de um correto manejo nas suas diferentes fases, como correção do solo, escolha de cultivares e realização de tratos fitossanitários, dentre outros. O manejo fitossanitário visando o controle de pragas é de suma importância em virtude do aumento dos problemas nas lavouras. Dentre as principais pragas que ocorrem na cultura da soja, os insetos da ordem Hemíptera, conhecidos como percevejos, destacam-se pelo potencial de causar significativo decréscimo de produtividade e na qualidade dos grãos e sementes.

As principais espécies de percevejos que atacam a soja são: percevejo-marrom (Euschistus heros), percevejo-verde-pequeno (Piezodorus guildinii), percevejo-verde (Nezara viridula) e percevejo-barriga-verde (Dichelops furcatus e D. melacanthus). Esses destacam-se pela sua ampla distribuição e adaptabilidade às diversas condições climáticas, sendo sua ocorrência distribuída em todas as regiões produtoras brasileiras. Nos últimos anos, tem se destacado na cultura da soja o percevejo-marrom e o percevejo-barriga-verde, os quais têm uma ampla disseminação no território nacional.

Os percevejos são insetos que passam por três estágios de desenvolvimento, sendo ovo, ninfa e adulto. O estágio de ovo compreende o período da postura dos ovos até a eclosão das ninfas, que dura em média seis dias. A fase de ninfa é subdividida em cinco períodos, que vai do primeiro ao quinto instar, onde cada instar tem uma duração variando de quatro até dez dias. Já o adulto possui uma longevidade média de 50 a 120 dias.

As ninfas a partir do terceiro instar começam a causar danos. Os danos causados pelos percevejos em soja são baseados na sua forma de alimentação, sendo que estes insetos possuem aparelho bucal sugador, e inserem este no tecido vegetal, introduzindo enzimas que degradam os tecidos, tornando viável a sua alimentação. Os percevejos alimentam-se preferencialmente de vagens e grãos, podendo atacar as flores da soja, o que tem como consequência a perda de produtividade de grãos e qualidade de sementes.

Os percevejos não possuem capacidade de causar danos na fase vegetativa da cultura da soja. A maior perda de produtividade causada por percevejos ocorre no período de formação do canivete (R3/R4), pois a inserção do aparelho bucal nessas estruturas pode levar ao abortamento. O ataque dos percevejos no período de formação e enchimento de grãos causa o dano conhecido como grão chocho. A partir do estágio R6, que é quando os grãos já estão formados e cheios, a perda de produtividade causada por percevejos é muito baixa, mas continuam ocorrendo perdas na qualidade de grãos e sementes, sendo o vigor de sementes a variável mais afetada.

A colonização dos percevejos em lavouras de soja pode ocorrer no período vegetativo, sendo que os insetos migram das áreas adjacentes como mata nativa, áreas úmidas e áreas de eucalipto para as bordaduras das lavouras, onde irão iniciar sua reprodução no local, migrando gradativamente para o interior das lavouras. O pico populacional dos percevejos ocorre no estágio de formação e enchimento de grãos (R5) e grão cheio (R6).

O manejo de percevejos na cultura da soja é baseado no monitoramento eficiente das lavouras e no correto uso dos inseticidas disponíveis. O monitoramento deve iniciar-se antes da fase reprodutiva, com o uso do pano-de-batida ou pano-vertical. Diferentemente de outras pragas que ocorrem na cultura da soja, como as lagartas, a mobilidade dos percevejos é reduzida. Portanto, um eficiente manejo de percevejos realizado no início da colonização da área, implicará em uma redução da população no período de enchimento de grãos, pois os indivíduos que iriam se reproduzir e formar uma nova população terão sidos controlados.

Em contraponto, se o manejo com inseticidas for realizado de maneira incorreta durante a ocorrência de percevejos na lavoura pela utilização de doses diferentes do recomendado e/ou com aplicações sucessivas do mesmo princípio ativo, poderão surgir falhas de controle no futuro em decorrência da resistência de insetos. Isso explica a diferença de resposta de controle dos inseticidas em regiões muito próximas. Recomenda-se aplicar, portanto os produtos com as doses indicadas nas bulas e não utilizar aplicações sucessivas do mesmo produto em uma safra agrícola, buscando evitar a seleção de populações resistentes e assim obter um correto manejo de percevejos.
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